
Quando a ideia saiu do papel, o Hexa Clima tinha uma finalidade bastante delimitada: o uso escolar, área de expertise da BDN Tecnologia. Foi ao apresentar a iniciativa que os rumos começaram a mudar. O que nasceu como um módulo de sensores, aos poucos caminhava para se tornar a miniestação meteorológica que conhecemos hoje.
À medida que o projeto – agora uma miniestação – avançava, novas formas de utilizá-lo surgiam. Ao entender que a iniciativa poderia ir muito além do uso em ambiente pedagógico, os idealizadores começaram a desenvolver o Hexa Clima pensando nessa gama de utilizações que ele possibilita.
Os sensores da ferramenta são capazes de captar mais de dez informações climáticas. E são esses dados que expandem a área de atuação. É mais do que mera medição e previsão do clima. A partir dessas informações, as formas de utilizar o Hexa Clima aumentam exponencialmente.
Nas escolas, por exemplo, o foco é o ensino do clima, utilizando essas informações para projetos multidisciplinares. Porém, o Hexa Clima pode ser usado inclusive pensando no bem-estar dos alunos. Gustavo Morceli, CEO e fundador da BDN, exemplifica essa aplicação: “Em uma de nossas revisões bibliográficas, vimos que a qualidade do ar interfere no aprendizado do aluno. Ter acesso a dados como esse serve, inclusive, para professores e gestores pedagógicos planejarem suas aulas e ações preventivas”.
Um estudo que corrobora a visão de Gustavo é o da Universidade Técnica da Dinamarca, que pontua que estudantes expostos a ambientes com boa qualidade do ar tiveram um aumento de desempenho de 15%. “São ações muito simples que podem ter um impacto enorme, mas ninguém abriu os olhos para isso ainda”, pontua Morceli.
Falando em universidade, ela também é um importante meio em que o Hexa Clima se aplica. A coleta contínua e o armazenamento de informações tornam possível uma base robusta de dados, que pode ser utilizada em pesquisas. Atualmente, existe uma parceria com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.
No projeto Embrapii/SEBRAE, liderado por Luis Gustavo Nonato, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP), está sendo desenvolvida uma IA que utiliza os dados do Hexa Clima para prever períodos de aumento de casos de dengue, gerando alertas com 7 a 10 dias de antecedência. Os primeiros testes ocorreram em fevereiro.
Para além do ensino
Os benefícios do Hexa Clima ultrapassam os muros das escolas, principalmente para a sociedade civil. Com as miniestações em campo, viu-se o poder da geração de dados que ele consegue oferecer. “Com o desenvolvimento do produto definido, nossos olhos não estão mais no equipamento em si; agora, o nosso negócio está nos dados que conseguimos captar com ele”, destaca Gustavo.
Dessa forma, a Defesa Civil e a gestão pública tornam-se os grandes beneficiários do Hexa Clima. Com cada vez mais locais utilizando a miniestação, mais informações ficam disponíveis para que se preparem e ajam. Enquanto comunidades locais se preocupam com a previsão do tempo como a conhecemos, a rede de dados que o Hexa Clima possibilita pode oferecer informações sobre queimadas e alagamentos, por exemplo.
Além disso, a iniciativa também pode ser utilizada em empreendimentos privados. O agronegócio, por exemplo — mercado no qual a BDN planeja atuar —, pode utilizar as informações para planejar plantio e colheita. Grandes eventos podem posicionar miniestações no local onde irão ocorrer, tendo cobertura total de dados climáticos. Frigoríficos podem utilizá-lo para averiguar a capacidade de resfriamento de suas câmaras, além de várias outras oportunidades e aplicações. Ou seja, qualquer atividade que demande, de alguma forma, o monitoramento climático, pode encontrar no Hexa Clima, uma solução acessível e rica em informações.
Pensado inicialmente para um único uso, o Hexa Clima hoje se mostra uma ferramenta versátil, capaz de dar acesso a dados climáticos para os mais diferentes contextos e tipos de utilização.
